segunda-feira, 29 de março de 2010

A única diferença que existe entre mim e aquele garoto de nove anos que fui um dia, é que, hoje, tenho mais possibilidades de prazer e de força. Porque, de resto, continuo sonhador e cheio de esperança. Eu só sou feliz porque há uma tristeza em mim.

quinta-feira, 18 de março de 2010



Nasci do ontem, do inverno retrasado, passado do retrasado do seu passo. Minha memória trouxe clara a lembrança da minha fala quando encontrei meu corpo caído ao chão. Corpo que via com seus olhos, que andava com suas pernas, mas que também era eu. Ser eu sozinho, não consigo nessa ilha de pensamento escuro, escondido no volume das vozes, dos carros que correm, do meu espaço confuso e apertado e estranho e calado, embora barulhento. Eu entendo a sua gritaria me pedindo calma ao falar de vida. Eu entendo a sua pressa quando me pede, em um instante em que a vida te interessa, que eu tenha a gentileza de te dar passagem de primeira viagem ao inferno que me espera, embora eu chore, embora eu peça, embora eu implore, eu retruque. Eu morri na cadeira que faltou, que se escondeu, que morreu na luta do inverno em que eu nasci e nasceu também o filho seu. Eu cantei poemas retirados, músicas mal traduzidas, folhas secas de árvores escondidas nos meios da sua bíblia. Eu fugi dali. Eu fugi de onde a gente combinou se encontrar na tarde de verão de 52° de alguma cidade escondida no Brasil. Eu fui sozinho ao encontro do Deus, da Deus, de Deus. Eu me perdi na escuridão que a falta da sua memória me deu.

domingo, 14 de março de 2010

Noites de vida de sonho...com frequencia desmaio na rua. Mas ainda ando. Você me aborda com dúvidas do cotidiano, e não repara que eu não falo, que eu não ouço...e sai em direção ao vazio completo, resmungando algo sobre mim. Mas é só porque eu não grito, é só porque eu não morro que você não repara que estou nos cantos, nos vãos, nos mofos...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ser-me é uma tarefa inimaginavelmente difícil. Eu me imagino outro durante todo o tempo que preciso ser-me. Um outro que é impossível viver. Que só existe num coletivo que não existe.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Se a saudade, a dúvida, a confusão na mente, o silêncio, o vagar, o olhar perdido e o violão quebrado fossem ferramentas da Revolução, eu teria ganhado as batalhas.
Você olhou para o céu,
pedindo un conselho para Deus.
Com os olhos cheios de lágrimas,
acreditando ser a sua última chance.
Nem o seu livro predileto, você leu.
Aquele que, por falta de coragem,
tantas vezes eu não li.
Olhando para o céu,
Pedindo un conselho para Deus.
Que tonteria a sua: logo para Deus.
Quantos conselhos a Tristeza já não te deu?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Deus me fez com uma sensaçao estranha. Td bem, pode ser que Deus nao exista. Mas alguém me fez com uma sensaçao estranha. Sim, pode ser que eu seja fruto de mutaçoes, transformaçoes genéticas...pois elas, entao, me fizeram com uma sensaçao estranha. Algo exterior a mim me fez com uma sensaçao estranha. Algo exterior. Porque eu mesmo nao faria isso comigo...nao sou tolo de criar minha própria dor!